Ashtadasa
Introdução
O termo Ashtadasa (sânscrito: अष्टादश, aṣṭādaśa; hindi: अठारह; tamil: பதினெட்டு) significa "dezoito" e atua dentro do Shakta Tantra como o número supremo da vitória espiritual, do triunfo sobre a ignorância (avidya) e da destruição de forças demoníacas. No Sankhya Shastra, Ashtadasa combina a unidade não-dual do número 1 (Eka) com o dinamismo cósmico do número 8 (Ashta), resultando no número 9 (Nava) através de sua redução mística ($1 + 8 = 9$). Ele representa o ciclo completo da revelação divina e o poder absoluto da Mãe Cósmica manifestado na batalha da consciência.
Significado da Palavra Ashtadasa
A palavra Ashtadasa é uma composição sânscrita direta de Ashta (oito) e Dasa (dez). Nas correntes esotéricas, este número indica a superação das amarras do tempo e do espaço, sendo o código vibracional que sela os maiores tratados de conhecimento e as maiores guerras internas do buscador. Abaixo estão as formas de escrita da palavra em diferentes idiomas:
- Sânscrito: अष्टादश (aṣṭādaśa)
- Hindi: अठारह (aṭhārah)
- Tamil: பதினெட்டு (patiṉeṭṭu)
Origem e Características Metafísicas
A Arquitetura do Conhecimento Sagrado
O número Ashtadasa fundamenta a estrutura de toda a literatura espiritual e tântrica da Índia. Existem exatamente 18 Mahapuranas (os grandes textos mitológicos) e 18 Upapuranas. A grande batalha do Mahabharata, que espelha a guerra psíquica entre o ego e a alma, durou exatamente 18 dias, e seu exército foi dividido em 18 divisões (akshauhinis). Além disso, o maior tratado de ioga e ação integrativa do cosmos, a Bhagavad Gita, é composto por exatamente 18 capítulos. No Tantra, isso indica que o caminho da evolução humana passa por 18 estágios cruciais de purificação e discernimento.
Divindades e Deuses Representados
Ashtadasabhuja Durga — A Deusa dos Dezoito Braços
A deidade central absoluta que governa o número 18 no Shakta Tantra é Ashtadasabhuja Durga, a forma majestosa e terrível da Deusa Mahashakti manifestada com dezoito braços. De acordo com o texto sagrado Devi Mahatmyam (também conhecido como Chandi Patha), quando as forças cósmicas negativas lideradas pelo demônio Mahishasura ameaçaram a ordem do universo, todos os deuses (Devas) uniram suas energias em um único feixe de luz pura. Deste flash cósmico nasceu Durga.
Cada um dos dezoito braços da Deusa carrega uma arma de poder incomensurável cedida por uma divindade (como o Tridente de Shiva, o Disco de Vishnu, o Raio de Indra e a Lança de Agni). Ashtadasa representa, portanto, a **totalidade dos poderes divinos unificados** em uma única força feminina impenetrável. Cada braço rege um tipo de força mística (Siddhi) e destrói uma ilusão específica da mente humana.
A Regência Planetária e Mística
A Fusão Solar-Saturnina e o Nó de Rahu
Astrologicamente, a composição de Ashtadasa (1 e 8) evoca uma dinâmica tântrica profunda. O 1 é regido por Surya (o Sol, a alma pura), enquanto o 8 é regido por Shani (Saturno, o executor do karma). A união dessas duas forças opostas gera um atrito iniciático avassalador que força o praticante a queimar suas escórias cármicas imediatamente.
Sua redução mística ao número 9 (Nava) move a regência oculta para Mangala (Marte, a força guerreira, o sangue e a coragem) e correlaciona-se ao ciclo de 18 anos dos nós lunares Rahu e Ketu. Utilizar o número 18 em práticas ritualísticas e repetições de mantras confere ao *sadhaka* a determinação inabalável de Marte para cortar os nós ilusórios gerados por Rahu, convertendo desejos obsessivos em liberação espiritual (Moksha).
Simbolismo nas Práticas e Geografia Tântrica
No mapa místico do corpo e do planeta, Ashtadasa reverbera intensamente. Na geografia sagrada indiana, existem os Ashtadasa Shakti Peethas, os 18 templos nodais de poder supremo onde caíram partes específicas do corpo de Sati. Peregrinar espiritualmente ou meditar sobre esses 18 centros desperta os canais sutis de energia no corpo do praticante.
No Sri Yantra, os dezoito níveis de interações angulares internas dentro dos circuitos centrais representam as frequências das deusas de proteção que guardam o acesso ao ponto central, o Bindu. O número 18 rege também os 18 tipos de elementos curativos na alquimia tântrica (Rasayana), usados para purificar o corpo físico de forma a suportar as descargas intensas da iluminação.