Ashtottara-Sata
Introdução
O termo Ashtottara-Sata (sânscrito: अष्टोत्तरशत, aṣṭottara-śata; hindi: egy सौ आठ; tamil: நூற்றெட்டு) significa "oito além de cem" ou simplesmente "108". Dentro do Shakta Tantra e do Sankhya Shastra, este número não é uma mera quantidade aritmética, mas a **frequência vibracional e geométrica que une o macrocosmo ao microcosmo**. Ele representa a totalidade da existência, a distância mística entre a consciência ordinária e o coração da Divindade, servindo como a métrica universal para a ativação de fórmulas sonoras (mantras) e rituais de ascensão.
Significado da Palavra Ashtottara-Sata
A palavra Ashtottara-Sata é uma junção sutil de Ashta (oito), Uttara (além/acima) e Sata (cem), traduzindo-se literalmente como "oito acima de cem". Na tradição esotérica, sua estrutura numérica carrega uma chave de decodificação cósmica oculta: o 1 representa o Absoluto Não-Dual (Eka), o 0 representa o Vazio Primordial (Shunya), e o 8 representa o Infinito ou a Natureza Manifesta (Ashta Prakriti). Abaixo estão as grafias tradicionais:
- Sânscrito: अष्टोत्तरशत (aṣṭottara-śata)
- Hindi: एक सौ आठ (ek sau āṭh)
- Tamil: நூற்றெட்டு (nūṟṟeṭṭu)
Origem e Características Metafísicas
A Anatomia Sutil e os Canais de Energia
A imensa relevância de Ashtottara-Sata no Tantra está ancorada diretamente no mapa energético do corpo humano. De acordo com o sistema de canais sutis (Nadis), existem três fluxos principais que se originam no chakra base e sobem até a coroa: Ida, Pingala e Sushumna. A partir do centro cardíaco (Anahata Chakra), espalham-se as principais ramificações que sustentam o corpo sutil.
Os textos tântricos revelam que exatamente **108 Nadis principais** convergem para formar o Anahata Chakra. Ao vibrar um mantra 108 vezes, o praticante (sadhaka) envia uma onda de choque purificadora através de cada um desses cruzamentos nervosos e energéticos, limpando detritos cármicos e preparando o sistema sutil para o despertar e a subida segura da energia divina latente, a Kundalini Shakti.
Divindades e Deuses Representados
Namavali — Os 108 Nomes Secretos da Deusa
No Shakta Tantra, nenhuma deidade está dissociada deste número. Cada grande manifestação da Mãe Cósmica possui um Ashtottara-Sata Namavali, uma ladainha mística contendo os 108 nomes sagrados de Deusas como Kali, Durga, Tripura Sundari, Lakshmi e Sarasvati. Recitar estes nomes não é um ato de adoração devocional comum, mas sim uma invocation técnica de 108 aspectos específicos de energia, poderes místicos (Siddhis) e emanações geométricas que moldam o universo.
Do lado cosmológico e tântrico védico, a abóbada celeste é dividida em 4 quadrantes para cada um dos 27 palácios lunares (Nakshatras), resultando na equação perfeita de $27 \times 4 = 108$. Cada um desses passos representa um sopro cósmico guardado por divindades estelares que governam o destino e a flutuação da consciência no plano denso.
A Frequência Planetária e a Japa Mala
O Ritmo do Cosmos na Palma da Mão
Na ciência do tempo e do espaço, Ashtottara-Sata reflete os alinhamentos precisos do sistema solar: a distância entre a Terra e o Sol é equivalente a aproximadamente 108 vezes o diâmetro do Sol, e a distância entre a Terra e a Lua é cerca de 108 vezes o diâmetro da Lua. Portanto, o número 108 rege a órbita e as marés energéticas que impactam os planetas (Grahas).
Para se sintonizar com esse ritmo astronômico e metafísico, o tântrico utiliza a **Japa Mala**, o colar ritualístico de meditação composto rigorosamente por **108 contas**, feitas frequentemente de sementes de Rudraksha (lágrimas de Shiva) ou madeira de Tulsi. A 109ª conta, maior e central, chama-se **Sumeru** ou **Guru Bindu**; ela representa o Absoluto e não deve ser pulada, servindo como um ponto de virada onde o buscador reconhece que toda a manifestação cíclica (as 108 contas) retorna e dissolve-se na fonte não-dual da Consciência Pura.