Bhīmā
Introdução
O Bhīmā (sânscrito: भीमा, Bhīmā; também chamado Chandrabhaga em Pandharpur) é um dos rios mais sagrados do sul da Índia, o maior tributário do Krishna. Flui pelos estados de Maharashtra, Karnataka e Telangana, simbolizando força divina, purificação e devoção. Sua origem no templo de Bhimashankar Jyotirlinga (um dos 12 Jyotirlingas de Shiva) o torna especialmente venerado, com águas consideradas purificadoras de pecados. No trecho de Pandharpur, é chamado Chandrabhaga e associado ao bhakti de Lord Vithoba (forma de Krishna), atraindo milhões de peregrinos.
Localização e Geografia
O Bhīmā nasce nas colinas de Bhimashankar, nos Western Ghats (Sahyadri), no distrito de Pune, Maharashtra, a uma altitude aproximada de 900-1.000 metros. Percorre cerca de 861 km (535 mi) em direção sudeste, passando por Pune, Solapur, Ahmednagar, e entrando em Karnataka e Telangana, antes de se unir ao Krishna perto de Raichur (fronteira Karnataka-Telangana). Principais tributários incluem Mula-Mutha, Pavana (em Pune), Ghod, Nira, Sina, Man e Bori. Sua bacia drena cerca de 48.631 km², sustentando agricultura (jowar, bajra, cana-de-açúcar) e enfrentando cheias monçônicas e secas sazonais.
Origem e Curso do Rio
O curso inicia próximo ao templo Bhimashankar, fluindo pelo santuário de vida selvagem Bhimashankar. Passa por vales férteis em Maharashtra, recebe águas de reservatórios como Chas Kaman e Ujjani Dam, e forma planícies aluviais ricas. Em Pandharpur, adquire o nome Chandrabhaga devido à sua forma de crescente lunar. Apesar de o Bhīmā ser mais longo que o Krishna superior em alguns trechos, a tradição o considera tributário, unindo-se ao Krishna para formar um sistema vital no Deccan.
Significado Religioso e Divindades Associadas
O Bhīmā está intimamente ligado a Lord Shiva via Bhimashankar Jyotirlinga, onde o rio nasce como manifestação divina. Suas águas purificam karmas e concedem moksha. Em Pandharpur, é reverenciado como Chandrabhaga, sagrado para o culto de Lord Vithoba (Krishna) e Rukmini, centro do movimento Varkari bhakti (sant Tukaram, Namdev, Eknath). Banhos rituais no rio durante Ashadhi Ekadashi atraem milhões. Também associado a Vishnu/Krishna e à purificação geral das nadi no hinduísmo.
Histórias e Lendas Divinas (Passatempos Divinos)
A Manifestação de Shiva e o Nascimento do Rio
Segundo lendas do Shiva Purana e Skanda Purana, o demônio Tripurasura (ou Bhimasura) aterrorizava os deuses. Lord Shiva manifestou-se como Jyotirlinga em Bhimashankar para destruí-lo com seu tridente. No calor da batalha, Shiva perfurou a terra, liberando águas celestiais que formaram o rio Bhīmā. Em algumas variantes, o rio surgiu do suor ou da fúria de Shiva, simbolizando força (bhīma = terrível, poderoso) para destruir o mal e nutrir a vida. O nome homenageia essa manifestação feroz e protetora de Shiva.
Chandrabhaga em Pandharpur e o Bhakti de Vithoba
Em Pandharpur, o rio é chamado Chandrabhaga por sua curva em forma de lua crescente. Lendas associam-no ao amor devocional: Pundalik (devoto de Krishna) trouxe Vithoba à Terra, e o rio testemunha o êxtase bhakti dos Varkaris. Milhões cantam abhangs nas margens durante peregrinações, acreditando que banhos ali concedem darshan divino e removem pecados, unindo Shiva (origem) e Vishnu (devotion em Pandharpur).
Simbolismo e Peregrinação
O Bhīmā representa força divina (como o Pandava Bhima), purificação e fertilidade aluvial, ensinando equilíbrio entre destruição do mal e criação de vida. Seus bancos são locais de sadhana, kirtans e rituais de shraddha. Peregrinos do Bhimashankar Jyotirlinga e do Varkari yatra banhando-se buscam bênçãos de Shiva, Krishna e Ganga Mata (como nadi sagrada). Como símbolo de resiliência e devoção, inspira humildade perante a natureza. Hoje, enfrenta desafios como poluição e barragens, mas permanece eterno em devoção e espiritualidade maharashtriana.