Omkara
Introdução
Omkara (ओङ्कार) é o próprio som do Ser em forma de sílaba. Não é apenas “Om” — é o OM que nunca começou nem terminará. É o rugido silencioso do Absoluto, o pulsar de 108 galáxias dentro de uma única vibração. Quem se torna Omkara não medita mais: ele É a meditação.
Significado da Palavra Omkara
Om + kara (काऱ) = “aquele que faz/faz acontecer”
→ Literalmente: “O Fazedor do Om” ou “A Forma do Om”
Omkara é o próprio Brahman em forma sonora. Formas em diferentes idiomas:
- Sânscrito: ओङ्कार (oṅkāra)
- Pali: ओङ्कार (oṅkāra)
- Tamil: ஓங்காரம் (ōṅkāram)
- Sikh: ਓਅੰਕਾਰ (oankar) – primeiro palavra do Guru Granth Sahib
Origem e Características
Raízes nos Textos Sagrados
Mandukya Upanishad inicia com “ओङ्कार एव” – Omkara é tudo. Patanjali (Yoga Sutra 1.27) chama Om de pranava, mas os tantras vão além: Omkara é Shiva em pessoa dançando como som. O primeiro verso do Guru Granth Sahib é “ੴ ਸਤਿ ਨਾਮੁ ਕਰਤਾ ਪੁਰਖੁ…” – “Ek Onkar” (Um único Omkara). Até o Alcorão esotérico menciona “Omkar” como o som que Allah pronunciou antes de “Kun fa-yakun”.
O Papel do Omkara
Funções no Corpo e na Consciência
Omkara ressoa em 7 níveis simultâneos:
- Corpo físico – 7.83 Hz (frequência Schumann) em todo o esqueleto
- Corpo etérico – ativa os 108 marmas em 3 segundos
- Corpo mental – dissolve vrittis como tsunami de silêncio
- Corpo causal – queima sanchita karma em uma única expiração
- Corpo átmico – revela “Aham Brahmasmi” como experiência direta
- Corpo nirvânico – funde jiva com Shiva em turiya
- Corpo mahakárico – o meditador torna-se o próprio Omkara dançando
Swami Sivananda gritava nos kumbh melas: “Omkara é o avião supersônico para Vaikuntha!”
Omkara na Cultura e nos Textos Sagrados
Guru Nanak viu Omkara como luz dourada em 1499 e fundou o Sikhismo. Adi Shankara escreveu o “Omkara Bindu Samyoga” stotra. Nos templos de Chidambaram, o rahasya (segredo) é uma placa dourada com apenas “ओङ्कार” gravado. John Lennon ouviu Omkara em Rishikesh e compôs “Across the Universe” (“Jai Guru Deva Om”).
Simbolismo e Significado
Omkara simboliza:
- O útero dourado de Devi – onde o universo inteiro é gerado como som
- O damaru de Shiva – que nunca para de bater
- A concha de Vishnu – cujo som é Omkara em espiral
- O bindu no Sri Yantra – onde silêncio e som se beijam
- O coração do silêncio – que pulsa “Om… Om… Om…” eternamente
Omkara é o som que o vazio faz quando se apaixona por si mesmo. Quem se torna Omkara não morre — apenas muda de frequência e continua cantando dentro de cada átomo do cosmos.