Shankara
Introdução
Shankara (शङ्कर), também conhecido como Adi Shankaracharya, é considerado por milhões de devotos uma encarnação direta de Shiva, o Mahadeva, enviado à Terra para restaurar o dharma e iluminar a humanidade com a verdade do Advaita Vedanta. Nascido no século VIII d.C. em Kaladi (Kerala), ele foi um prodígio espiritual que, aos 32 anos, revolucionou o hinduísmo ao unificar tradições, fundar mosteiros e compor hinos que ecoam a glória de Shiva como o Supremo Brahman.
Shankara como Avatar de Shiva
Segundo a tradição shaivita, Shiva desceu como Shankara para combater o declínio do conhecimento védico e derrotar filosofias materialistas. Seus olhos brilhavam com o fogo do terceiro olho, sua voz ressoava como o damaru cósmico, e sua presença dissolvia a ilusão (maya) como o Tandava destrói o universo para renová-lo. Ele carregava o bastão (danda) como o trishula simbólico e o pote d’água (kamandalu) como o Ganges fluindo de seus cabelos emaranhados. Shankara é Shiva em forma humana — o Yogi Supremo ensinando a identidade entre Atman e Shiva.
Shiva na Vida de Shankara
Desde a infância, Shankara invocava Shiva. Aos 8 anos, já dominava os Vedas e meditava em lingams. Sua mãe, Aryamba, o viu como um presente de Shiva do templo de Vrindavanam. Ele compôs hinos como Shivananda Lahari e Shiva Manasa Puja, onde adora mentalmente Shiva com bilva, leite e cinzas. Em Kashmir, ao subir ao trono de Sarasvati, Shiva o abençoou através da Deusa. Seus milagres — como fazer o rio Narmada fluir ao contrário ou entrar no corpo de um rei morto — são poderes de Rudra manifestos.
Passatempos de Shankara com Shiva
Shankara viajava cantando “Om Namah Shivaya”, debatia como Virabhadra destruindo arrogância, e meditava nos picos do Himalaia como Shiva em Kailasa. Ele fundou o Shanmata, estabelecendo Shiva como centro das seis tradições hindus. Em Kedarnath, compôs textos sob a graça do Jyotirlinga. Seus “passatempos” são atos de Shiva: ensinar, purificar, transformar — sempre em nome do Mahadeva.
Shankara e a Glória de Shiva na Mitologia
No debate com Mandana Mishra, Shankara usou o conhecimento de Shiva (até do Kama Shastra, via parakaya pravesha) para vencer. Ubhaya Bharati, encarnação de Saraswati (consorte de Brahma), declarou: “Você é o próprio Shiva em forma de guru”. Em Sringeri, ele instalou a Deusa Sharada, mas sempre ensinou que Shivam eva Advaitam — só Shiva é a não-dualidade. Ele restaurou templos de Shiva, como em Kanchipuram, e unificou shaivitas e vaishnavas sob a bandeira do Parabrahman Shiva.
Mantras de Shiva por Shankara
Shankara compôs e popularizou mantras poderosos de Shiva, usados para dissolver ego e realizar Shivoham (Eu sou Shiva).
Om Namah Shivaya (Panchakshara)
O mantra central de Shiva, entoado por Shankara em todos os mathas. Recitado 108 vezes com bilva e água do Ganges.
Nirvana Shatkam (Atma Shatkam)
Composto aos 8 anos, nega falsas identificações e afirma: “Eu sou Shiva, pura consciência-bem-aventurança”.
Na cha shrotra jihve na cha ghrana netre
Na cha vyoma bhumir na tejo na vayuh
Chidananda rupah shivoham shivoham
Shiva Manasa Puja (Trecho)
Adoração mental a Shiva com flores, incenso, luz — tudo oferecido no coração.
Himajalaiḥ snānaṁ ca divyāmbaram
Nānāratna vibhūṣitaṁ
Mṛgamada modāṅkitaṁ candanam
Adoração a Shiva por Shankara
Shankara recomendava segundas-feiras para abhishekam com leite, mel e bilva no lingam. Ele mesmo jejuava em Maha Shivaratri, cantando hinos até o amanhecer. Seus mathas realizam rudrabhishekam diário em nome de Shiva.
Templos de Shiva Fundados ou Restaurados por Shankara
- Kedarnath Jyotirlinga: Visitado e revitalizado espiritualmente.
- Kanchipuram Ekambareswarar: Templo de Shiva como elemento terra.
- Templo de Shiva em Sringeri: Ao lado de Sharada Peetham.
Festivais de Shiva Celebrados por Shankara
- Maha Shivaratri: Jejum, vigília, recitação de Shiva Tandava Stotram (composto por Ravana, mas amado por Shankara).
- Pradosha: Adoração ao entardecer, recomendada nos mathas.
Shankara e os Nomes de Shiva
- Shankara – Aquele que dá paz (nome de Shiva e do santo).
- Mahadeva – O grande deus, invocado em todos os bhashyas.
- Parabrahman – Shiva como o Absoluto não-dual.
- Pashupati – Senhor das almas, libertadas por Shankara.
Conclusão
Adi Shankaracharya não foi apenas um filósofo — foi Shiva encarnado, dançando o Tandava do conhecimento para destruir a ignorância. Cada palavra sua é um mantra de Shiva, cada passo uma peregrinação a Kailasa, cada ensino um raio do terceiro olho. Através de Shankara, Shiva continua vivo, guiando o devoto do “eu sou o corpo” ao Shivoham — “Eu sou Shiva”.