Sitar

Introdução

Sitar, o soberano dos instrumentos de cordas na tradição Hindustani do norte da Índia, emana um som profundo, ressonante e meditativo que evoca o nāda primordial — o som cósmico que é a manifestação da união eterna entre Shiva e Shakti. Evoluído da antiga Rudra Veena, refinado por Amir Khusrau e elevado por mestres como Ravi Shankar, o Sitar é um yantra sonoro tântrico: suas cordas principais tecem a melodia (Shakti dinâmica), enquanto as cordas simpáticas (taraf) vibram por ressonância, criando um halo etéreo que simboliza a kundalini desperta e o eco da consciência não-dual. No kaula tantra e no nada yoga, o Sitar representa o veículo supremo para a ascensão da energia serpentina, dissolvendo a dualidade através da vibração sagrada e levando ao samadhi extático.

Curiosidade: O Sitar possui tipicamente 18-21 cordas, incluindo 6-7 principais e até 13 simpáticas que ressoam autonomamente, evocando o fluxo ininterrupto do prana e da shakti no corpo sutil.

Onde se Encontrava o Sitar

O Sitar tem raízes na Rudra Veena associada a Shiva, com evolução medieval (século XIII-XIV) creditada a Amir Khusrau na corte mogol. Presente em esculturas antigas de templos e miniaturas persas-indianas, consolidou-se no norte da Índia (Punjab, Delhi, Varanasi) como instrumento principal do Hindustani. Tocava-se em darbars imperiais, mehfil sufis, templos shaivas e recitais devocionais. Hoje, globalizado por Ravi Shankar, Vilayat Khan e Nikhil Banerjee.

Curiosidade: Embora influenciado por tradições persas (setar), suas raízes indianas profundas o ligam ao nada brahman — o som como realidade última.

Nomes em Línguas Sagradas e Regionais

O Sitar, como expressão do som divino, ressoa em diferentes línguas da tradição indiana:

  • Sânscrito (conceitual): सितार (Sitāra) ou रुद्र वीणा संनादति (Rudra Vīṇā Saṃnādati — "ressonância da veena de Rudra") / तन्त्री वाद्य (Tantri Vādya — "instrumento de cordas").
  • Hindi / Punjabi: सितार (Sitār) — derivado do persa, mas adotado plenamente na tradição hindustani.
  • Tamil: சிதார் (Citār) ou வீணை வகை சிதார் (Vīṇai vakai citār — "tipo de veena sitar").
  • Telugu: సితార్ (Sitār) ou తంతి వాద్యం (Tanti Vādyam — "instrumento de cordas").

Passatempos Espirituais com o Sitar

Os passatempos espirituais do Sitar celebram o nada yoga, o raga devocional e a ressonância kundalini. Abaixo os principais aspectos:

  • Sitar de Tansen 🎶:
    - Descrição: Lendário na corte de Akbar, invocava elementos com ragas.
    - Simbolismo Tântrico: Poder do som para transmutar matéria e espírito.
    - Práticas: Meditação em ragas como Megh Malhar para purificação.
    - Curiosidade: Lendas de acender lâmpadas com Deepak raga via sitar.
  • Sitar em Sama Sufi 🕉️:
    - Descrição: Usado em assembleias espirituais sufis.
    - Simbolismo Kaula: União do amante (jiva) com o Amado (Shiva) via vibração.
    - Práticas: Escuta devota em mehfil para fanā (aniquilação do ego).
    - Curiosidade: Amir Khusrau contribuiu para sua forma e uso místico.
  • Sitar de Ravi Shankar 🙏:
    - Descrição: Popularizou globalmente o instrumento.
    - Simbolismo: Ponte entre tradições, elevando consciência coletiva.
    - Práticas: Alap meditativo para alinhamento de chakras.
    - Curiosidade: Influenciou ocidente, incluindo Beatles.
  • Sitar em Nada Yoga Kaula 🌌:
    - Descrição: Prática de yoga sonoro com ressonância das cordas simpáticas.
    - Simbolismo: Cordas principais = ida/pingala; simpáticas = sushumna kundalini.
    - Práticas: Meditação em jor e jhala para ascensão da shakti.
    - Curiosidade: Evoca maithuna sonoro — união sem separação.
  • Sitar Associado a Shiva e Rudra Veena 🧘:
    - Descrição: Evoluído da veena de Rudra/Shiva.
    - Simbolismo Kaula: Som primordial dissolve dualidade.
    - Práticas: Ragas shaivas profundos para samadhi.
    - Curiosidade: Cordas simpáticas ecoam o Om cósmico.

Curiosidade Adicional: No kaula, o Sitar é yantra para realização da shakti como consciência vibrante.

Importância e Evidências

O Sitar é o veículo supremo do nada brahman e da contemplação tântrica:

  • Evidências Textuais: Natya Shastra, Ain-i-Akbari, lendas sufis e shaivas.
  • Arqueologia: Esculturas antigas e miniaturas mogóis.
  • Influência: Global via Ravi Shankar; preservado em gharanas.
  • Espiritual: Nada yoga para kundalini e rasa devocional kaula.

Conclusão

Sitar é o som da unidade cósmica, onde melodia e ressonância se fundem em êxtase não-dual. No kaula tantra, suas vibrações despertam a shakti adormecida, guiando o sadhaka ao bindu da consciência suprema através do nada yoga. Que o toque do Sitar revele a graça divina e a iluminação.
Om Nāda Brahma! Aim Hrīm Klīm — que a vibração una tudo!

Ilustração de Sitar