Taus
Introdução
Taus (também mayuri veena ou "veena do pavão") é um instrumento de cordas friccionadas da tradição do norte da Índia, especialmente associado à música devocional Sikh (Gurmat Sangeet), com corpo esculpido em forma de pavão (mayura/taus), penas ornamentais e som que imita o grito plaintivo e etéreo do pavão. Seu nome deriva do persa "taus" (pavão), simbolizando a beleza majestosa, o despertar espiritual e o chamado divino da natureza. Atribuído ao Guru Hargobind (6º Guru Sikh) ou Guru Gobind Singh (10º Guru), inspirado pelo som do pavão ecoando com instrumentos de cordas, o Taus combina traços de sitar (trastes móveis), sarangi (arco e ressonância) e veena antiga. Seu timbre claro, choroso e ressonante evoca o grito da alma em busca da união divina, o viraha (separação) que leva ao êxtase bhakti. Como yantra sonoro, representa a kundalini ascendendo como pavão real (mayura na iconografia tântrica), com penas que simbolizam os chakras abertos e o som que desperta a shakti. Usado em kirtans, recitais devocionais e meditação sonora, predecessor do dilruba e esraj, é tocado por mestres como Sandeep Singh e Bhai Baldeep Singh, elevando-o a veículo de devoção e samadhi.
Curiosidade: O Taus foi criado para capturar o "choro do pavão" misturado à ressonância das cordas — um som que evoca o chamado divino da natureza, dissolvendo o ego no êxtase do nada brahman.
Onde se Encontrava o Taus
O Taus surgiu no século XVII no Punjab (norte da Índia), associado aos Gurus Sikhs (Guru Hargobind ou Guru Gobind Singh), em contextos devocionais e guerreiros. Popularizado em darbars Sikh, kirtans, templos (Gurdwaras) e sessões espirituais, era tocado em práticas de Gurmat Sangeet para acompanhar shabads e ragas devocionais. Menos comum que sarangi ou dilruba (que derivam dele por razões de portabilidade), foi revivido no século XX e XXI por comunidades Sikh e músicos devocionais; hoje, preservado em festivais de música clássica, Gurmat Sangeet e práticas meditativas, com mestres que o usam para evocar a presença do Guru eterno.
Curiosidade: Guru Hargobind, ao ouvir o pavão ecoar com os instrumentos, desejou um som que unisse o lamento natural ao divino — assim nasceu o Taus como ponte entre a criação e o Criador.
Nomes em Línguas Sagradas e Regionais
O Taus, como veena do pavão divino, ressoa em diferentes línguas da tradição indiana:
- Sânscrito (conceitual): मयूरी वीणा (Mayūrī Vīṇā) — "veena do pavão".
- Punjabi / Hindi: ਤਾਊਸ (Tāūs) ou ताऊस (Tāūs) — nome principal no Punjab e norte.
- Persa (influência): طاووس (Tāwūs) — "pavão", origem do nome.
- Bengali / Tamil: ময়ূরী বীণা (Mayūrī Bīṇā) ou மயூரி வீணை — adaptações regionais.
Passatempos Espirituais com o Taus
Os passatempos espirituais associados ao Taus celebram o nada yoga do pavão, o chamado devocional e a ascensão da shakti como beleza majestosa. Abaixo estão os principais aspectos:
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Taus no Gurmat Sangeet e Kirtan 🕉️:
- Descrição: Acompanhamento de shabads com som choroso e etéreo.
- Simbolismo Tântrico: Grito do pavão = kundalini despertando; penas = chakras abertos.
- Práticas: Nada yoga devocional para união com o Guru.
- Curiosidade: Ideal para ragas matinais e devocionais como Ahir Bhairav. -
Taus como Criação dos Gurus 🎶:
- Descrição: Inspirado pelo Guru Hargobind ou Gobind Singh.
- Simbolismo Kaula: Corpo de pavão = manifestação da shakti radiante; arco = fluxo prânico cortante.
- Práticas: Meditação sonora para alinhamento sutil.
- Curiosidade: Predecessor do dilruba, criado para guerreiros devotos. -
Taus na Tradição Sikh Devocional 🧘:
- Descrição: Instrumento para evocar presença divina em kirtan.
- Simbolismo: Som plaintivo = viraha que leva à união.
- Práticas: Recitais longos para estados de êxtase bhakti.
- Curiosidade: Representa o chamado da natureza ao Divino. -
Taus no Nada Yoga do Pavão 🌅:
- Descrição: Vibrações etéreas para expansão da consciência.
- Simbolismo Kaula: Penas = raios da shakti; ressonância = sushumna aberta.
- Práticas: Contemplação em ragas para ascensão da kundalini.
- Curiosidade: Evoca maithuna sonoro na beleza do pavão divino. -
Taus como Yantra Sonoro de Beleza 🪷:
- Descrição: Instrumento para sadhana devocional.
- Simbolismo: Forma de pavão = bindu radiante; som = consciência não-dual.
- Práticas: Meditação com alap choroso para samadhi.
- Curiosidade: Simboliza o despertar espiritual na majestade da criação.
Curiosidade Adicional: No kaula, o Taus é yantra para realização da shakti como beleza radiante e chamado devocional do pavão eterno.
Importância e Evidências
O Taus é o símbolo da beleza devocional e da meditação através do chamado do pavão:
- Evidências Históricas: Atribuído aos Gurus Sikhs (séc. XVII); mencionado em tradições antigas como mayuri veena.
- Cultural: Essencial no Gurmat Sangeet e música devocional do Punjab.
- Espiritual: Veículo para nada yoga bhakti, união com o Divino e samadhi.
- Legado Moderno: Revivido por mestres Sikh e tocado em práticas meditativas contemporâneas.
Conclusão
Taus transcende o instrumento; é o grito majestoso do pavão divino, o chamado da shakti que desperta a alma para a união eterna com o Guru. No caminho kaula, suas vibrações etéreas e ornamentadas dissolvem a separação, expandem a consciência e conduzem ao êxtase da não-dualidade através do nada yoga devocional. Que o Taus invoque a graça do pavão radiante e da iluminação eterna.
Om Nāda Brahma! Aim Hrīm Klīm — que o grito do pavão ressoe o infinito!